Dicas Cachoeiras da Pavuna – Cuesta de Botucatu

Tudo sobre as cachoeiras da Pavuna, localizadas na Cuesta de Botucatu, entre as cidades de Botucatu e São Manuel, no Estado de São Paulo.

  • Local: Fazenda Pavuna – Rod. Marechal Rondon (SP-300), Km 259 (antes do pedágio), Botucatu/SP
  • Contato: (14) 99177-4667 – Marcio, funcionário do local
  • Horário de Funcionamento: 7:00 às 17:00
  • Taxa de Ingresso: R$10,00 (maio/2020)
  • Taxa de acampamento: R$ 20,00 (maio/2020)
  • Estrutura do camping: banheiros, chuveiros de água quente e tomadas (não tem cozinha)
  • Grau de dificuldade das trilhas: fácil a moderado (pessoas experientes em trilhas)
  • Vendem: apenas água e refrigerante (nada mais)

Importante Saber

A Pavuna não é um “passeio no bosque”. É para quem ja está acostumado a fazer trilhas e gosta de uma boa aventura.

Se você não tem experiência em trilhas e mesmo assim deseja conhecer a Pavuna, sugiro que contrate um guia ou vá com uma pessoa experiente em trilhas pois, apesar do caminho ser bem demarcado, existem riscos, como exposição à altura, terreno íngreme e escorregadio, etc.

Ja vi muitas pessoas despreparadas passando perrengue la. Desde pais descendo com crianças, os quais não conseguiam sequer cuidar de si mesmos (tivemos que ajudar as crianças) até adultos fazendo a trilha de sunga, biquini e chinelo.

É importante, para sua segurança, estar bem equipado. No mínimo um tênis você tem que usar – o ideal seria uma bota de trekking.

Quanto a levar crianças, vai da perícia de cada pai/mãe. Se você é um pai/mãe que consegue cuidar de si e do filho (a) ao mesmo tempo, e tornar essa experiência incrivel, ótimo (conheço pais extraordinários que escalam com os filhos nas costas, em cada lugar que até Deus duvida, como os pais da linda Gabi do Blog da Aventura). Agora se você não consegue cuidar nem de si mesmo numa trilha, porque arriscar a integridade física do seu filho levando-o à Pavuna, onde há trechos perigosos? Primeiro ganhe experiência, depois se aventure por la com seu filhote. Um bom trekking para iniciar com crianças,  aqui na região,  é o que leva à base das Três Pedras: aberto, tranquilo, seguro e com um visual lindíssimo.

Bom, agora que eu ja alertei sobre os riscos, bora então conhecer um pouquinho desse lugar encantador que eu, orgulhosamente, posso chamar de quintal de casa.

O Lugar

Vista do Cânion da Pavuna, da trilha do Lago

As Cachoeiras da Pavuna encontram-se em um cânion, na Cuesta de Botucatu, em propriedade particular (Fazenda Pavuna), localizada entre as cidades de Botucatu e São Manuel, no Estado de São Paulo.

Cânion é um  vale estreito e profundo escavado por um rio, num processo lento de erosão que dura milhares e milhares de anos.

Já ouviu falar no ditado que diz “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Pois é,  esse é, simplificadamente, o processo de formação de um cânion: a água de um rio vai lentamente escavando a superfície por onde ela passa, provocando o “afundamento” do seu  leito e, consequentemente, o surgimento de grandes paredões  nas suas laterais.

Mas não são apenas agentes externos (erosão pela água dos rios) os responsáveis pela formação dos cânions.  A ação de agentes internos, que atuam no interior do solo, também contribuem nesse processo, como a movimentação vertical das placas tectônicas, em direção à superfície, as quais deixam o terreno mais íngreme,  aumentando, assim, a velocidade das águas dos rios e, consequentemente,  acelerando o processo erosivo, formando vales cada vez mais profundos.

No cânion da Pavuna encontramos grandes paredes rochosas, que podem ser melhor visualizadas  nas regiões das cachoeiras. No entanto,  não apenas de rocha é formado esse cânion. Suas encostas são também cobertas  por uma bela floresta estacional semidecidual, adaptada às transformações características de cada estação do ano, porém, sem perda total de suas folhagens nas estações mais secas (outono e inverno).

Fontes:

Melhor Época Para VisitaçãoMacaco no cânion das cachoeiras da Pavuna

As estações mais secas do ano (outono e inverno) são os períodos mais seguros para se visitar as cachoeiras da Pavuna, mas, certamente não são eles os períodos mais convidativos, já que o clima está mais frio, a floresta está com um aparência mais seca (ante a perda de parte de suas folhas) e as cachoeiras estão com um volume menor de água.

Cachoeira da Pavuna em época seca
Cachoeira da Pavuna no inverno

Assim, a melhor época para curtir as Cachoeiras da Pavuna e apreciar a beleza do seu cânion, em todo o seu esplendor,  certamente, é o das estações mais úmidas (primavera e verão), quando a floresta está mais verdinha e as cachoeiras se encontram com uma maior vazão de água.

Mas lembre-se… essa é a pior época para se banhar em uma cachoeira,  já que a maior incidência de chuvas, própria dessas estações, traz consigo as temidas cabeças d’água.

A cabeça d’água ocorre quando uma forte chuva despenca, em um curto período de tempo, sobre a cabeceira de um rio, ou trechos mais altos de seu percurso, aumentando repentinamente o nível de suas águas, que podem subir vários metros em poucos segundos, varrendo, como uma tsunami, tudo o que encontrar pela frente,  inclusive banhistas desatentos, em suas cachoeiras.

Alias, não precisa estar chovendo na cachoeira onde você se encontra para ocorrer uma  cabeça d’água, pode até estar fazendo um solzão lindo. É aí que mora o perigo. Quando você menos espera, ela chega e te pega.

A mesma Cachoeira da Pavuna da foto anterior, no verão
A mesma Cachoeira da Pavuna da foto anterior, no verão

Por isso, é muito importante estar atento à meteorologia, antes de ir para qualquer cachoeira nas estações chuvosas.

Não há como prever a ocorrência de uma cabeça d’água, mas é possível prever a ocorrência de chuvas na região, que podem provocá-las.

Outra dica é ficar sempre de olhos e ouvidos ligados quando estiver em uma cachoeira.

Viu que há formação de nuvens escuras no horizonte, que indicam chuva? Viu que o nível da água subiu, ou sua correnteza aumentou de velocidade, desde que você chegou à cachoeira? Ouviu um trovão,  mesmo que o céu esteja limpinho onde você está? Ouviu algum barulho anormal  vindo do alto da cachoeira, que possam indicar a chegada de uma cabeça d’água? Em qualquer dessas situações, saia imediatamente da cachoeira e procure um lugar alto para se proteger.

Assim, se desejar visitar as cachoeiras da Pavuna na primavera e verão,  não deixe de tomar todos esses cuidados para a sua segurança.

Ademais, saiba que essa é a época preferida dos turistas,  atraídos pelo calor intenso, próprio da estação, o que deixa o local lotado de pessoas, já que não há limite de visitantes.

Definitivamente não curto a Pavuna, nem local algum, lotado de turistas. Por isso, sempre que pretendo curtir suas cachoeiras, nessa época do ano, opto por chegar na parte da manhã para fugir da muvuca que começa a se formar lá pelas 12:00.

Em 4 horas é possível visitar todas as 5 cachoeiras e mais uma charmosa quedinha d’água que tem lá, sem toda aquela aglomeração de pessoas.

Fontes:

Nível de Dificuldade

A trilha das cachoeiras da Pavuna começa no estacionamento da fazenda, e se divide em duas antes de iniciar a descida do cânion.

Nesse local você encontrará duas placas que enumeram as cachoeiras de 1 a 5 e prestam algumas informações, dentre elas o nível de dificuldade de cada uma das trilhas que levam à essas cachoeiras.

Nessas placas classificaram as trilhas como sendo de grau moderado à difícil, porém creio que essa análise foi feita com base em uma pessoa que não está acostumada a fazer trekking, já que, ao meu ver, tratam-se de trilhas de nível fácil à moderado.

Assim, colocarei aqui o grau de dificuldade das trilhas com base em pessoas sem experiência em trilhas e com base em pessoas mais experientes.

Pessoas SEM experiência em trilha (cachoeiras enumeradas conforme as placas)

  • Cachoeira 1 – médio/difícil
  • Cachoeira 2 – difícil
  • Cachoeira 3 – médio/difícil
  • Cachoeira 4 – médio/difícil
  • Cachoeira 5 – difícil

Retorno para o estacionamento  – nível difícil (pura subida)

Pessoas COM experiência em trilhas (cachoeiras enumeradas conforme as placas):

  • Cachoeira 1 – moderado
  • Cachoeira 2 – moderado
  • Cachoeira 3 – fácil
  • Cachoeira 4 – fácil
  • Cachoeira 5 – fácil
  • Pequena queda d’água – fácil

Retorno para o estacionamento  – nível moderado (pura subida)

Observações:

1. As placas existentes no local enumeram as cachoeiras de 1 a 5 (na sequencia que eles entenderam melhor), mas existe uma pequena queda d’água, charmosinha, bem próxima as Cachoeiras 3 e 4, que também vale uma visita.

2. No meu tracklog, disponibilizado no Wikiloc,  enumerei as cachoeiras de acordo com a sequencia em que as visitei (sequencia essa que recomendo seguir, vez que menos cansativa). e incluí a pequena queda d’água como cachoeira. Assim a numeração das cachoeiras no meu tracklog não bate com a numeração inserta nas placas.

Segue abaixo tabela de correspondências:

TRACKLOG KEILA PLACAS
Cachoeira 1 Cachoeira 2
Cachoeira 2 Cachoeira 1
Cachoeira 3 Cachoeira 5
Cachoeira 4 Inexistente (pequena queda d’água)
Cachoeira 5 Cachoeira 3
Cachoeira 6 Cachoeira 4

Como Chegar

Acesso Cachoeiras da Pavuna

O acesso à Fazenda Pavuna se encontra às margens da Rodovia Marechal Rondon (SP-300), km 259, cerca de 600 metros antes da praça de pedágio, sentido Botucatu – São Manuel, ou seja,  capital – interior (vide placa amarela na imagem acima)

Como chegar às Cachoeiras da Pavuna via Botucatu
Como chegar – via Botucatu

São, aproximadamente, 10 Km da entrada de Botucatu, via Castelinho (Rod. João Hipólito Martins), até à Fazenda Pavuna, feitos em 8 minutos de carro.

Fique atento à entrada da fazenda, à sua direita, pois não é fácil visualizá-la de longe. Muitas pessoas acabam passando reto e a única opção, legal (ou seja, sem dar marcha re), para retornar à fazenda, é passando o pedágio, fazendo o retorno, passando o pedágio novamente e fazendo um outro retorno para voltar à pista de acesso e, enfim, chegar à Pavuna.

Não cometa esse erro, já que, para retornar à Botucatu, após seu passeio na Pavuna, necessariamente,  você deverá passar por esse pedágio duas vezes: assim que sair da Pavuna e após retornar pela outra pista rumo à Botucatu. Ou seja, cometendo o erro você ira pagar não apenas duas mas quatro tarifas de pedágio.

Como chegar às Cachoeiras da Pavuna via São Manuel
Como chegar via São Manuel

Já quem parte no sentido São Manuel – Botucatu, ou seja interior – capital,  precisará passar o pedágio e fazer o retorno, um pouco mais à frente, para acessar a outra pista da rodovia, onde se encontra a entrada da fazenda.

Muito cuidado para não passar reto no acesso dessa retorno, já que o mesmo também é de difícil visualização. Fique atento às placas.

Para retornar à São Manuel, o pedágio deverá ser transposto novamente.

Atualmente o valor do pedágio para carros é de R$ 5,50 e para motos de R$2,75 (confira valores mais atualizados aqui).

Ingresso e Camping

A Fazenda Pavuna fica aberta das 7:00 as 17:00, sendo cobrada, atualmente, uma taxa de visitação de R$ 10,00 (maio/2020).

É permitido acampar no local, pagando-se uma taxa de R$ 20,00 por pessoa (a taxa de ingresso já está inclusa nesse valor).

A área de camping é gramada e possui banheiros, chuveiros de água quente e tomadas para carregar celulares e câmeras fotográficas. Não há cozinha, mas há uma varanda coberta onde os campistas podem preparar as suas refeições, em seus fogareiros.

Algumas pessoas acampam em uma área mais afastada da sede, próxima ao início da descida do cânion (foto acima) o que eu acho bem interessante pois você fica mais imerso a natureza. Lá não há qualquer estrutura, mas há uma coisa muito melhor: o som da cachoeira.

Já ouvi relatos de pessoas que acamparam no fundo do cânion, e já vi essa área de acampamento por la,  mas não sei dizer se, hoje, isso é permitido. Precisa entrar em contato com a Fazenda Pavuna para verificar. De qualquer forma, acho perigoso acampar no fundo de um cânion, ficando tão próximo ao rio. Uma cabeça d’água varreria todo o acampamento em questão se segundos.

Voltando à área estruturada, cabe ressaltar que todos os visitantes podem utilizar os banheiros mas, até o momento,  apenas os campistas podem fazer uso dos chuveiros. O que é uma pena, já que permitir que os demais visitantes  possam tomar um banho antes de voltar para casa (muitos deles vem de longe) contribuiria não apenas para o bem estar dos mesmos,  mas também para um aumento da renda da propriedade, pois eles poderiam cobrar por isso.

Onde ComerOnde comer em Botucatu

Na Fazenda Pavuna vendem apenas água mineral e refrigerantes em lata.  Não há qualquer lanchonete ou restaurante onde você possa comer um salgado, um lanche ou mesmo uma boa refeição.

Então, quando for à Pavuna, leve tudo o que vai comer durante a sua visita ou o que irá comer durante o seu camping.

Outra alternativa é se dirigir à cidade mais próxima (Botucatu), onde há opções de restaurantes e lanchonetes para todos os gostos. No Trip Advisor você encontra os locais mais recomendados.

Não quer ficar rodando a cidade, escolhendo um local para comer? Vá para a praça de alimentação do Shopping Botucatu, bem próximo à entrada da cidade, via Castelinho (Rod. João Hipólito Martins) onde há opções para todos os gostos.

Trilhas das Cachoeiras da PavunaTrilha para as cachoeiras da Pavuna

A trilha para as cachoeiras da Pavuna se inicia no estacionamento da Fazenda Pavuna  e segue em leve declive, em campo aberto,  por cerca de 230 metros (4 minutos), até a borda do cânion, onde existe uma área de camping.

Placa 1 - Cachoeira Pavuna
Placa 1 – Cachoeiras 3, 4 e 5

Nessa área de camping, existem duas placas, indicando o acesso para duas trilhas, as quais levam os visitantes às cachoeiras da Pavuna.

A primeira placa que você irá encontrar é a da trilha das Cachoeiras 3, 4 e 5.

Placa 1 - Cachoeira Pavuna
Placa 1 – Cachoeiras 3, 4 e 5

Um pouco mais à frente avista-se a placa das Cachoeiras 1 e 2.

Se você for uma pessoa que gosta de trilhas e está acostumada a caminhar por horas, aconselho fazer as duas trilhas no mesmo dia,  começando pela trilha das Cachoeiras 1 e 2.

Já se você é uma pessoa que está indo à Pavuna apenas para tomar um banho de cachoeira, aconselho fazer apenas a trilha das Cachoeiras 3, 4 e 5, pois, apesar de mais longa, é mais fácil. E lá você encontra a melhor cachoeira do local para se banhar,  a Cachoeira 5.

Descreverei aqui a sequencia que acho mais apropriada para conhecer todas as cachoeiras da Pavuna em 1 só dia, vez que menos cansativa. Sequencia essa  que não segue a sequencia que utilizaram para enumerar as cachoeiras nas placas.

Bom… ao chegar ao camping, siga pela trilha indicada na placa das Cachoeiras 1 e 2.

Logo no início dessa trilha adentra-se à mata fechada, e o terreno se torna muito íngreme e escorregadio, abruptamente. E não precisa sequer chover para o chão virar um sabão, ele já é naturalmente liso. Parece que jogaram uma fina camada de areia sobre ele, misturada com pedrinhas traiçoeiras (deve ser o tal solo arenoso existente na Cuesta).

Nessa hora é preciso ter muito cuidado para não ir de bunda ao chão. Por isso, para auxiliar os visitantes,  foram instaladas cordas nos locais mais críticos. Não exite em utilizá-las, para a sua própria segurança, já que você pode não só cair, mas rolar ribanceira abaixo.

Placa 3 - Cachoeira Pavuna
Placa 3 – Cachoeiras 1 e 2

Após 15 minutos de caminhada desde a última placa (320 metros), você encontrará uma bifurcação com uma outra placa, indicando por onde seguir para as Cachoeiras 1 e 2: a trilha da Cachoeira 1 segue estreita, por um caminho quase reto, beirando o desfiladeiro; enquanto a trilha da Cachoeira 2 segue mais aberta, barranco abaixo.

A trilha para a Cachoeira 2 é mais difícil e demanda muito mais esforço e cuidado, que a trilha para a Cachoeira 1, que é praticamente reta.

As placas  induzem você a iniciar pela Cachoeira 1, pela própria numeração dada, mas não se iluda. Se você deixar a Cachoeira 2  para depois, quando for retornar será um subidão sem fim, desde o fundo do cânion.

Iniciando pela Cachoeira 2 você pode ainda descansar na Cachoeira 1 (cuja trilha naquele trecho é bem curta e fácil), fazer um lanche, tomar um banho  em sua queda, para só então continuar a subida de volta ao topo,  com todo o gás. Então… va por mim. Comece visitando a Cachoeira 2.

Cachoeira 2Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 2

Ao iniciar a descida para a Cachoeira 2 tenha MUITO CUIDADO, esse é um trecho traiçoeiro.

Trata-se de um barranco bem íngreme onde há muitas pedras soltas. A cada passo que você da as pedras escorregam todas para baixo e você vai descendo junto com elas. Não tente segurar a sua descida involuntária, deixe-se escorregar, mas mantenha-se em pé, com a ajuda da corda la existente.

Descida para a Cachoeira 2
Descida para a Cachoeira 2

Por esse motivo é muito importante descer 1 pessoa por vez (no máximo duas, bem juntas), pois  se duas ou mais pessoas descerem ao mesmo tempo, com espaços grandes entre elas,  pode ocorrer de rolar pedra na cabeça da que estiver mais abaixo. E se aparecer outro grupo para descer o barranco no momento em que você estiver descendo, peça para eles esperarem a sua descida.

A melhor forma de descer esse trecho é de lado, segurando firme na corda e utilizando o pé da frente como uma espécie de freio, que vai evitar que você venha de bunda ao chão, ao escorregar com as pedras.

Ao chegar ao final da primeira descida do barranco você notará uma árvore caída, já praticamente enterrada no chão. Neste local encoste para à sua esquerda (perto da mata), para não ficar na mira das pedras que rolam de cima, e aguarde o restante do seu grupo descer (espero que não sejam muitas pessoas pois o espaço é pequeno).

Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 2
Cachoeira 2, a mais linda

Quando todos estiverem juntos  inicie a próxima descida, ainda com mais pedras e mais escorregadia.

Siga descendo tomando todos os cuidados anteriores que, em cerca de 10 minutos  desde a bifurcação (150 metros), você chegará àquela que eu considero a cachoeira mais linda da Pavuna (Cachoeira 2).

A Cachoeira 2 possui um pequeno poço para banho, mas o gostoso mesmo e se sentar sobre a sua rocha onde cai a maior parte das suas águas.

Bem em frente a essa cachoeira existe uma grande pedra que proporciona fotos lindíssimas de quem a sobe, e de diversos ângulos.

Atravessando o rio é possível ainda ter uma vista ainda mais bela dessa cachoeira (foto abaixo )

Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 2
Vista da Cachoeira 2, do outro lado do rio

Essa é a cachoeira utilizada pelas agências locais para fazer cascading (rapel em cachoeira).

Bom, depois de um belo banho de cachoeira, de  repor as energias e fazer alguns clicks, suba toda aquela piramba até a bifurcação que leva à Cachoeira 1, tomando os mesmos cuidados da descida.

Assim que chegar à bifurcação, tome um ar (você vai precisar) e siga  pela trilha da esquerda, em direção à Cachoeira 1. Muita atenção nessa hora, para não seguir subindo reto, por uma outra trilha que se inicia numa parede rochosa muito íngreme (calma, você pode subir por ela depois que visitar a Cachoeira 1).

Cachoeira 1Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 1

A trilha da Cachoeira 1  é bem curta, cerca de 3 minutos desde a ultima bifurcação (7 metros), mas requer atenção pois, apesar de quase plana, é estreita é exposta a altura. Todo o cuidado é pouco.

Há cordas no local para auxiliar os visitantes, mas não se pendure nelas, utilize-as apenas para seu equilíbrio e, quando possível, utilize os troncos das árvores como apoio.

Trilha Cachoeiras da Pavuna
Trilha para a Cachoeira 1

Ao chegar à Cachoeira 1, você se dará conta de que está no topo da Cachoeira 2. A vista é incrível lá de cima, mas não arrisque sua vida chegando próximo à borda. Aprecie de longe.

Essa cachoeira também possui um poço para banho, mas nunca entrei porque sempre senti friozinho lá, mesmo no verão.

Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 1
Cachoeira 1

Aliás, o local venta muito,  devido a força com que as águas despencam do paredão, jogando gotículas para todos os lados, deixando o ambiente mais úmido e todo molhado

Espero, ainda, poder pegar um dia bem quente na Pavuna para, finalmente, conseguir aproveitar essa cachoeira.

Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 1
Cachoeira 1

Após curtir a Cachoeira 1, retorne pela mesma trilha até o ponto da bifurcação com a Cachoeira 2.

Nesse local você terá duas opções para retornar ao topo do cânion: a primeira é voltar pelo mesmo caminho que você chegou até ali; a segunda é pegar um atalho que existe nesse local (lembra da trilha que falei anteriormente, que sobe o cânion quase que na vertical, por uma parede rochosa?)

Seguir pelo caminho que você chegou é mais seguro, porém, seguir pelo atalho é bem mais divertido, pois você precisará escalaminhar (utilizar mãos e pés para guinchar seu corpo para cima) boa parte do tempo.

Trilha Cachoeiras da Pavuna
Subida pelo atalho, no trecho das raízes

Tem alguma dúvida de que o meu caminho favorito é o atalho?

No entanto este atalho é PERIGOSO e contraindicado para pessoas inexperientes. Aconselho apenas para pessoas experientes.

Inicialmente você encontrará uma parede rochosa, bem íngreme. Tome cuidado, pois algumas pedras dessa parede, nas quais você irá se apoiar, podem estar soltas. Teste as pedras antes de colocar peso nelas.

Após esse curto trecho de rocha a subida segue ainda muito íngreme, porém agora em uma trilha de verdade, onde é necessário utilizar as raízes expostas das árvores para ganhar altura.

Vista do cânion da subida do atalho
Vista do cânion da subida do atalho

Você levará cerca de 15 minutos para subir esse trecho de 200 metros, até o topo, fazendo pequenas pausas para recuperar o fôlego no caminho.  Numa dessas pausas você terá uma bela vista do cânion, a sua direita.

De volta ao topo do cânion, aproveite a sombra da árvore do camping para descansar, se hidratar e repor as energias, a fim de dar continuidade ao seu trekking na Pavuna, rumando agora pela trilha que leva à mais 3 cachoeiras e 1 pequena queda d’água.

Essa trilha, também em meio a mata, segue inicialmente larga, mas vai se estreitando, aos poucos, conforme se desce o cânion.

De nível fácil não possui cordas para auxílio dos visitantes, devendo-se tomar cuidado, no entanto, com a proximidade da ribanceira e com o solo, também escorregadio.

Trilha Cachoeiras da Pavuna - Placa 4
Placa 4 – Cachoeira 5

Após cerca de 20 minutos de caminhada (750 metros), desde a placa no topo do cânion,  você encontrará uma bifurcação com outras duas placas: uma delas indicará a trilha de acesso para as Cachoeiras 3 e 4 e a outra indicará a trilha de acesso para a Cachoeira 5.

Como não é aconselhável ficar muito tempo na Cachoeira 5, pois é comum rochas se soltarem do seu paredão (risco de morte para quem está lá embaixo), prefiro visitar esta cachoeira antes das demais. Siga primeiro para ela então.

Cachoeira 5Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 5

A trilha para a Cachoeira 5 não oferece os mesmos riscos que as anteriores, já que não fica à beira de barranco. É uma trilha mais protegida, com apenas um trecho mais complicado.

Siga por essa trilha, bem demarcada, conforme indicado na placa, e atravesse o riacho, quando encontrá-lo. Não se preocupe, o riacho é super raso. Se não quiser molhar os pés basta caminhar por cima das rochas, tomando cuidado, apenas, para não escorregar.

Trilha Cachoeiras da Pavuna
Subida para a Cachoeira 5

Após atravessar o riacho, continue seguindo pela trilha bem demarcada até encontrar uma subida cheia de pedras. Suba por ela e logo você estará na trilha novamente.

Uma nova transposição do riacho deverá ser feita (trecho também bem raso).

Passe por cima das pedras lá dispostas, se não quiser molhar os pés, e inicie, logo em seguida,  a subida de grandes rochas até os pés da cachoeira, por meio de uma breve escalaminhada, ou seja, utilizando mãos e pés.

Cachoeiras da Pavuna
Cachoeira 5

Ao término dessa escalaminhada você chegará aos pés da Cachoeira 5 (ou Cachoeira da Pedreira), que impressiona pela altura, mas não pelo seu volume de água, que é pouquíssimo. Leva-se, até lá, cerca de 15 minutos de caminhada, desde a última placa (480 metros)

Como dito anteriormente, esse não é um local muito seguro para ficar, devido as pedras que podem se desprender do paredão da cachoeira.

Então, dê uma breve apreciada e inicie, o quanto antes, o seu retorno à bifurcação, pela mesma trilha.

Quando chegar à essa bifurcação, siga em direção às Cachoeiras 3 e 4, pela trilha indicada na segunda placa, ali existente.

Placa 5- Cachoeiras 3 e 4
Placa 5- Cachoeiras 3 e 4

A trilha segue em leve declive, e sem ribanceira próxima para se preocupar,  por cerca de 4 minutos (130 metros), até se encontrar uma curta descida, que da acesso à uma pequena queda d’água, ali existente.

Não deixe de descer até lá e curtir mais esse cantinho lindo da Pavuna.

No final dessa descida  existe uma corda fixada para auxiliar os visitantes. Na minha opnião essa corda mais atrapalha que ajuda. Prefiro descer segurando nas raízes. Mais fácil e seguro.

Pequena Queda D’água

Cachoeirinha da Pavuna, na parte da tarde

Quando chegar lá embaixo, você verá que terá valido a pena: o lugar é uma graça, cheio de paz e tranquilidade.

Cachoeirinha da Pavuna
Cachoeirinha da Pavuna, na parte da manhã

Aproveite para tomar um bom banho em suas águas. Apesar de baixinha essa cachoeirinha é bem gostosa.  Existe uma pedra, estrategicamente posicionada,  bem embaixo da sua queda, onde você pode sentar e relaxar, enquanto se refresca.

A melhor hora para aproveitar essa cachoeirinha é a partir das 12:00, quando o sol está a pino e seus raios conseguem chegar até ela. Na parte da manhã você a encontrará praticamente sem sol, já que ela fica numa mata mais fechada.

Caminhando-se um pouco no leito do rio,  em direção à sua corrente, chega-se ao topo da queda de uma outra cacheira, que é, justamente, a Cachoeira 3, a qual você visitará logo em seguida.

Retornando das Cachoeiras 3 e 4
Retornando das Cachoeiras 3 e 4

Para isso, retorne à trilha principal e continue seguindo em frente.

A partir daqui a coisa começa a complicar um pouco. Logo as temidas ribanceiras aparecem e te deixam totalmente exposto a altura.

Há cordas no local para auxiliar os visitantes na descida. Utilize-as apenas para equilíbrio no primeiro lance (não se pendure nelas).

Quando chegar ao segundo lance de corda, fique de costas para o barranco, segure firme na corda e vá descendo de ré, como se estivesse fazendo um rapel em pé. Algumas pessoas  preferem descer de frente, mas acho mais perigoso.

Cachoeira 3Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 3

Após esse trecho, você chagará ao fundo do cânion, e dará de cara com a Cachoeira 3, à sua esquerda.  Até aqui você levará cerca de 7 minutos, desde a  “cachoeirinha” (130 metros).

Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 3
Cachoeira 3

O rio da Cachoeira 3, é o mesmo rio da “cachoeirinha”, como dito anteriormente (que, aliás, é o mesmo rio da Cachoeira 5) e, ante a proximidade das mesmas, sofre o mesmo mal da falta de sol no período da manha.

Para ser sincera,  nunca vi essa cachoeira com muito  sol, em período algum. Apenas um outro raio consegue encontrar uma passagem entre a densa copa das árvores.

Para mim, cachoeira tem que ter sol, senão nem perco meu tempo em entrar, pois sei que vou ficar sofrendo com frio, seja a estação que for.

De todo modo, essa não é uma preocupação para se ter ali, já que a apenas 5 metros dessa cachoeira encontra-se a Cachoeira 4, com um poço bem grande, e muito sol  em toda a sua região.

Cachoeira 4

Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 4

A Cachoeira 4 é a preferida da maioria dos visitantes da Pavuna, pois , além da trilha ser mais fácil, é a melhor cachoeira para banho. Assim, nas estações mais quentes, ela costuma estar lotada.

Para fugir disso, basta começar suas trilhas pela Pavuna bem cedo. Mas lembre-se que, apesar da clareira ser maior, ainda assim o sol precisa estar alto para iluminar completamente sua queda e poço.

O ideal é chegar lá por volta das 12:00, para pegar a cachoeira com bastante sol mas com  pouca gente. Quando ela lotar, o que vai ocorrer lá pelas 14:00,  você já estará indo embora.

Cachoeiras da Pavuna - Cachoeira 4
Cachoeira 4

A força das  águas que despencam dessa cachoeira é surpreendente. Ela te empurra a todo momento, sendo até difícil ficar parado embaixo da queda.

Aliás, é tanta, mais tanta água que cai sobre você que parece que você está sendo esmurrado a todo momento.

E isso não é nada mal porque te faz é uma bela massagem natural. Você sai não apenas com o corpo, mas com a alma lavada. Sinto até que fico mais leve. É impressionante.

Depois de curtir essa cachoeira, repor as energias e se reidratar, é hora de calçar as botas e criar coragem para subir tudo o que você desceu, rumo ao topo do cânion.

Prepare seu psicológico, porque serão 40 minutos de caminhada até o estacionamento (1.300 metros), sendo 30 minutos de pura subida.

Atenção: Todas as distâncias e tempos informados neste post foram colhidos pelo meu GPS (Garmin GPSMAP 62s) as quais divergiram das distâncias das placas do local. Por uma análise visual,  os dados do meu GPS se aproximam mais da realidade. Entrei em contato com os responsáveis pelas placas para verificar o motivo das divergências, mas  ainda não tive retorno. Assim que tiver informações volto aqui para contar.

  GPS KEILA PLACAS
Estacionamento até  Placa 1 230 m não informam
Placa 1 até Cachoeira 1 327 m 750 m
Placa 1 até Cachoeira 2 470 m 710 m
Placa 1 até Cachoeira 3 1.010 m 1.310 m
Placa 1 até Cachoeira 4 1.015 m 1.305 m
Placa 1 até Cachoeira 5 1.230 m 1.377 m
Placa 3 até Cachoeira 1 7 m 26 m
Placa 3 até Cachoeira 2 150 m 20 m
Placa 4 até Cachoeira 5 480 m 60 m
Placa 5 até Cachoeira 3 260 m 45 m
Placa 5 até Cachoeira 4 265 m 50 m
Placa 5 até Cachoeirinha 130 m não informam

O Lago

Além das cachoeiras, a  Fazenda Pavuna abriga um grande lago, o qual formou-se após a inundação de uma antiga pedreira, de onde foi extraída brita para a duplicação da SP-300, mais conhecida por Rodovia Marechal Rondon.

Atualmente é proibido banhar-se nesse lago, mas é possível fazer uma caminhada até lá para apreciá-lo de longe.

Durante essa caminhada, que segue em pasto aberto você terá uma outra vista do Cânion da Pavuna, podendo, inclusive, ver parte do front e do sopé da Cuesta, mais ao fundo.

Não sabe o que é uma cuesta?  Então corre lá no nosso post Cuesta de Botucatu e tire as suas dúvidas 😉

Fonte:
Repositório Unesp

Dicas Importantes

  • Não faça a trilha de chinelo, saia ou vestido. Já vi muitas pessoas passando perrengue por lá, por estarem com calçado ou roupa inadequada. Use tênis e calça, ou short.
  • Se você não tiver experiência em trilhas com crianças não leve crianças para a trilha das Cachoeiras 1 e 2, ante os muitos perigos que ela oferece. A trilha das Cachoeiras 3 e 4  é menos problemática, apesar de possuir um trecho complicado no final.
  • Não leve seu cachorro, ou qualquer animal de estimação para la. A trilha oferece muitos riscos aos bichinhos, que não irão conseguir passar em alguns trechos sozinhos.
  • Cuidado onde põe as mão. A trilha possui muitas plantas espinhosas, dentre elas, cactus.
  • Não se afaste da trilha, ou das clareiras das cachoeiras. As chances de se encontrar animais silvestres, principalmente cobras, em locais onde normalmente as pessoas não transitam, são muito grandes.

Regras de Mínimo Impacto Ambiental

Respeitar alguns valores na prática de atividades outdoor é fundamental para que possamos passar pela natureza causando o mínimo impacto ambiental possível.

Quais valores são esses?

  • Mantenha tudo como encontrou. Não deixe nada além de pegadas, não leve nada além de fotografias.
  • Apenas observe os animais. Não os alimente, não os toque ou faça qualquer coisa que venha a interferir em seu habitat natural.
  • Respeite as pessoas a sua volta. Não utilize aparelhos sonoros na trilha ou nos acampamentos e fale baixo para não incomodar ninguém.
  • Planeje-se e esteja preparado fisicamente para a trilha, a fim de evitar qualquer tipo de operação de resgate, a qual gera um grande impacto ambiental.
  • Existe uma trilha demarcada no chão? Caminhe sempre dentro da trilha. Não existe trilha? Caminhe enfileirado com os demais (fila indiana), a fim de pisarem todos no mesmo lugar, causando assim o menor impacto ambiental possível.
  • Não conhece o caminho a ser percorrido e não há uma trilha demarcada no chão? Mantenha-se atrás do guia. Andar à frente do guia, em locais sem trilha,  sem saber para onde se está indo, pode causar impacto ambiental desnecessário, já que, a pessoa pode seguir por caminho errado.

Quer saber mais sobre como fazer bom uso do ambiente natural? Leia o post Mínimo Impacto Ambiental em Atividades Outdoor


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